Costumo começar
alguns posts assim: “Que gente pitoresca!”
Ontem,
o “Bahia Notícias” publicou a seguinte nota. Leiam. Volto em
seguida:

O secretário de Planejamento e ex-presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, esclareceu por meio de nota as afirmações feitas pelo colunista da revista Veja, Reinaldo Azevedo. Por meio de nota, a assessoria do titular da Seplan informa que a pauta “é requentada”.
“Em
novembro 2005, a Petrobras assinou um Memorando de Entendimento com a Astra Oil
Company (Astra). Em setembro de 2006, a Companhia concluiu a aquisição através
de sua subsidiária Petrobras America Inc. (PAI). Desentendimentos entre os
sócios levaram a Astra a requerer o direito de vender seus
50%”.
Segundo
o documento, o valor foi acrescido de juros e outras atribuições durante o
processo arbitral. “A Petrobras empenhou seus melhores esforços e obteve uma
redução significativa no montante pleiteado pela Astra. Em junho de 2012, um
acordo extrajudicial totalizou US$ 820 milhões. Parte desse montante, US$ 750
milhões, já vinha sendo provisionado, restando o complemento de provisão de US$
70 milhões”, diz a nota. “O acordo tornou a refinaria [de Passadena] um ativo
negociável, ainda que não haja uma obrigatoriedade nem urgência em se desfazer
da mesma”, finaliza o comunicado.
Voltei
Comecemos por botar no devido lugar alguns fatos que não têm a ver com o mérito:
1: Meu post não tinha como objeto a Secretaria de Planejamento da Bahia. Gabrielli deveria parar de usar a máquina do estado para responder a questões que dizem respeito à sua gestão na Petrobras.
Comecemos por botar no devido lugar alguns fatos que não têm a ver com o mérito:
1: Meu post não tinha como objeto a Secretaria de Planejamento da Bahia. Gabrielli deveria parar de usar a máquina do estado para responder a questões que dizem respeito à sua gestão na Petrobras.
2: O
meu post de
sábado é
uma síntese, com alguns comentários, da excelente reportagem de Malu Gaspar
publicada na revista VEJA desta semana; se algo merece resposta, é a reportagem.
Mas entendo: o post na rede correu como um rastilho de pólvora. Agora aos
fatos.
O
mérito
1 – Em 2005, a Astra, uma empresa belga, compra uma refinaria sucateada nos EUA por meros US$ 45 milhões;
2 – Em 2006, vende 50% dessa porcaria à Petrobrás por US$ 365 milhões. Por alguma razão, a empresa brasileira considerou que, em alguns meses, o patrimônio havia tido uma valorização de 1.500%;
3 – O homem que participou da negociação em nome da Astra é um ex-funcionário da Petrobras. que agora trabalha para os belgas;
4 – Petrobras e Astra fazem um protocolo para investir US$ 1,5 bilhão naquela sucata.
5 – A empresa brasileira se compromete a comprar a parte dos belgas caso os dois lados se desentendam e ainda garante aos sócios uma rentabilidade de 6,9% numa empresa que dá prejuízo;
6 – Os dois lados se desentendem (!!!), e a Petrobras “tem” de comprar a outra metade. os belgas pedem escandalosos US$ 700 milhões;
7 – Em 2008, Dilma, presidente do Conselho da Petrobras, diz “não” e esculhamba Gabrielli;
8 – Dilma deixa o assunto pra lá, e os belgas vão à Justiça. Em junho deste ano, a Petrobras teve de comprar aqueles 50% por US$ 839 milhões;
9 – Graça Foster decidiu pôr a sucata à venda: apareceu só um comprador, que paga pela velharia apenas US$ 180 milhões.
10 - A empresa nunca serviu para processar o petróleo brasileiro, que é pesado, incompatível com a refinaria.
1 – Em 2005, a Astra, uma empresa belga, compra uma refinaria sucateada nos EUA por meros US$ 45 milhões;
2 – Em 2006, vende 50% dessa porcaria à Petrobrás por US$ 365 milhões. Por alguma razão, a empresa brasileira considerou que, em alguns meses, o patrimônio havia tido uma valorização de 1.500%;
3 – O homem que participou da negociação em nome da Astra é um ex-funcionário da Petrobras. que agora trabalha para os belgas;
4 – Petrobras e Astra fazem um protocolo para investir US$ 1,5 bilhão naquela sucata.
5 – A empresa brasileira se compromete a comprar a parte dos belgas caso os dois lados se desentendam e ainda garante aos sócios uma rentabilidade de 6,9% numa empresa que dá prejuízo;
6 – Os dois lados se desentendem (!!!), e a Petrobras “tem” de comprar a outra metade. os belgas pedem escandalosos US$ 700 milhões;
7 – Em 2008, Dilma, presidente do Conselho da Petrobras, diz “não” e esculhamba Gabrielli;
8 – Dilma deixa o assunto pra lá, e os belgas vão à Justiça. Em junho deste ano, a Petrobras teve de comprar aqueles 50% por US$ 839 milhões;
9 – Graça Foster decidiu pôr a sucata à venda: apareceu só um comprador, que paga pela velharia apenas US$ 180 milhões.
10 - A empresa nunca serviu para processar o petróleo brasileiro, que é pesado, incompatível com a refinaria.
Rombo
da Petrobras se vender: mais de US$ 1 bilhão, sem contar o prejuízo operacional.
Os belgas compraram uma sucata por US$ 45 milhões em 2005 e, em 2012, tinham
conseguido passa-la inteiramente adiante, embolsando US$ 1,204 bilhão da
brasileirada.
A
nota de Gabrielli
O que diz a nota de Gabrielli sobre o fato em si? Nada! Acusa a matéria de “requentada”. Não é. Mas ainda que fosse: um escândalo já noticiado deixa de ser escândalo por isso? Ainda que os petistas os produzam em penca, continua tudo… escândalo.
O que diz a nota de Gabrielli sobre o fato em si? Nada! Acusa a matéria de “requentada”. Não é. Mas ainda que fosse: um escândalo já noticiado deixa de ser escândalo por isso? Ainda que os petistas os produzam em penca, continua tudo… escândalo.
Eu
continuou a esperar que o sr. Gabrielli demonstre como os US$ 22,5 milhões de
2005 (50% da empresa comprada pelos belgas) se transformaram em US$ 365 milhões
menos de um ano depois. E, claro, gostaria que ele nos dissesse como, em 2008,
aquele patrimônio já valorizado em 1.500% teve uma valorização de 100%… Os
números falam por si: se quiser vender a estrovenga, a Petrobrás vai conseguir
apenas US$ 180 milhões.
Trata-se
de um dos maiores escândalos da era Lula, eis a verdade. Gabrielli não explica
nada. Arrogante, como de hábito, ainda diz que a empresa conseguiu baratear o
preço de compra.
Ah,
bom! O que valia US$ 45 milhões em 2005 foi comprado pela Petrobras por US$
1,204 bilhão, e Gabrielli quer que a gente lhe se seja grato pela
pechincha.
Cuidado,
baianos! Vai que ele esteja empregando seus métodos revolucionários de gestão no
Estado…
Por
Reinaldo Azevedo ....
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